Pessoas difíceis podem nos irritar, cansar, desafiar e ferir. Mas também podem revelar partes importantes da nossa vida emocional: nossos limites, nossas feridas antigas, nossa forma de reagir, nossa necessidade de aprovação, nossa dificuldade de dizer não e nossos próprios pontos cegos. Entender isso não significa aceitar qualquer comportamento. Significa olhar com mais clareza para o que acontece dentro de nós diante do outro.

Todo mundo conhece alguém difícil. Pode ser uma pessoa que critica tudo, alguém que fala sem cuidado, um familiar invasivo, um colega que não respeita limites, um parceiro que se fecha, uma amizade que exige demais, alguém arrogante, alguém imprevisível, alguém que sempre transforma conversas simples em conflitos. Às vezes, só pensar nessa pessoa já muda o corpo: o peito aperta, os ombros sobem, a respiração encurta, a mente começa a preparar respostas.

Quando convivemos com pessoas difíceis, é comum colocar toda a atenção nelas. “Por que ela age assim?”, “por que ele não muda?”, “como alguém consegue ser tão insensível?”, “por que sempre preciso lidar com isso?”. Essas perguntas podem fazer sentido. Algumas pessoas realmente têm comportamentos desgastantes. Algumas relações realmente machucam. Algumas situações precisam de limite, distância e proteção.

Mas existe outra pergunta que pode abrir um caminho de autoconhecimento: “o que acontece comigo diante dessa pessoa?”. Essa pergunta não inocenta o outro. Não transforma você em culpado. Ela apenas muda o foco de algo que você não controla para algo que pode compreender melhor: sua reação, sua história, seus limites e suas escolhas.

Pessoas difíceis muitas vezes funcionam como espelhos desconfortáveis. Elas podem refletir partes nossas que preferimos não ver: nossa raiva, nossa necessidade de agradar, nossa dificuldade de confronto, nosso medo de rejeição, nossa tendência a julgar, nossa vontade de controlar, nossa sensibilidade ferida ou nossa incapacidade de sair de lugares onde não somos respeitados.

Nem toda pessoa difícil precisa ser mantida por perto

Antes de qualquer reflexão, é importante dizer algo com clareza: compreender uma pessoa difícil não significa aceitar abuso, humilhação, manipulação, desrespeito ou violência emocional. Autoconhecimento não deve ser usado para justificar relações que adoecem. Há situações em que a escolha mais saudável é se afastar, limitar contato ou buscar apoio.

Algumas pessoas causam danos reais. Elas invadem, ameaçam, diminuem, controlam, mentem, desqualificam sentimentos, usam culpa como arma ou ignoram repetidamente limites claros. Nesses casos, a pergunta “o que isso revela sobre mim?” não deve virar uma forma de autoculpa. A pergunta mais urgente pode ser: “como posso me proteger?”.

O cuidado está em não cair em extremos. Um extremo é achar que toda dificuldade no outro precisa ser tolerada em nome de empatia. O outro extremo é pensar que toda pessoa que nos incomoda é tóxica e deve ser descartada imediatamente. Entre esses extremos existe uma análise mais madura: o que é diferença? O que é limite? O que é ferida minha? O que é desrespeito real? O que pode ser conversado? O que já foi conversado muitas vezes e não mudou?

Uma vida emocional mais saudável exige discernimento. Nem todo incômodo é sinal de perigo. Mas nem toda relação merece permanência.

Entender o que uma pessoa difícil desperta em você não significa desculpar o comportamento dela. Significa recuperar clareza para decidir melhor como agir.

Por que algumas pessoas nos afetam tanto?

Nem todas as pessoas difíceis nos afetam do mesmo jeito. Alguém pode ser irritante para todos, mas profundamente ativador para você. Outra pessoa pode incomodar você, mas ser tolerável para os outros. Isso mostra que a reação não depende apenas do comportamento externo. Depende também da sua história, da sua sensibilidade e das feridas que aquele comportamento toca.

Uma pessoa crítica pode afetar muito quem cresceu sendo cobrado. Uma pessoa fria pode ativar medo de abandono em quem já se sentiu deixado de lado. Alguém invasivo pode mexer profundamente com quem nunca teve seus limites respeitados. Uma pessoa arrogante pode despertar raiva em quem sempre precisou se diminuir. Alguém imprevisível pode deixar em alerta quem veio de ambientes instáveis.

Isso não quer dizer que o comportamento do outro seja aceitável. Quer dizer que sua reação tem camadas. Há o que está acontecendo agora e há o que aquilo desperta em você. Quando essas camadas se misturam, a emoção pode ficar muito intensa.

A terapia ajuda justamente a separar essas camadas. Ao fazer isso, você pode responder ao presente com mais clareza, em vez de reagir como se estivesse revivendo todas as situações antigas ao mesmo tempo.

Pessoas difíceis revelam nossos limites

Uma das coisas mais importantes que pessoas difíceis revelam é onde faltam limites. Se alguém sempre invade seu tempo e você nunca consegue dizer não, essa pessoa mostra uma área da sua vida que precisa de fortalecimento. Se alguém fala de forma agressiva e você continua disponível para a mesma conversa, talvez haja um limite que precisa ser construído.

Limite não é tentar controlar o outro. É definir o que você fará diante do comportamento dele. Você talvez não consiga impedir que alguém seja invasivo, mas pode decidir não responder fora de hora. Talvez não consiga impedir que alguém faça comentários desagradáveis, mas pode dizer que não continuará a conversa nesse tom. Talvez não consiga fazer alguém reconhecer sua dor, mas pode parar de se expor repetidamente a quem a diminui.

Muitas pessoas esperam que o outro mude para só então se sentirem autorizadas a cuidar de si. Mas limite começa antes da mudança do outro. Ele nasce quando você percebe: “eu não posso controlar essa pessoa, mas posso escolher até onde permito que isso entre na minha vida”.

Pessoas sensíveis podem ter dificuldade especial com limites, porque percebem muito, sentem culpa com facilidade e não querem magoar. Mas, justamente por sentirem profundamente, precisam ainda mais de fronteiras claras. Sem limite, a sensibilidade vira exaustão.

Pessoas difíceis revelam nossa necessidade de aprovação

Algumas pessoas nos incomodam porque não nos aprovam. Elas criticam, discordam, ignoram, desprezam ou não reconhecem nosso esforço. Isso pode doer muito, principalmente quando carregamos uma necessidade antiga de sermos vistos e validados.

A pergunta importante é: por que a aprovação dessa pessoa pesa tanto? Às vezes, buscamos aprovação justamente de quem menos sabe oferecê-la. Tentamos convencer quem não quer escutar. Tentamos ser compreendidos por quem não tem abertura. Tentamos arrancar respeito de quem se acostumou a nos diminuir.

Essa busca pode virar prisão. A pessoa difícil passa a ocupar um lugar enorme dentro da nossa mente. Pensamos no que ela disse, no que poderia ter dito, em como provar que está errada, em como finalmente ser reconhecidos. Enquanto isso, nossa paz fica nas mãos de alguém que talvez nunca ofereça a validação desejada.

Assumir responsabilidade emocional, nesse caso, é perguntar: “por que entreguei tanto poder ao olhar dessa pessoa?”. Essa pergunta pode doer, mas também devolve liberdade. Nem todo olhar merece ser medida do seu valor.

Pessoas difíceis revelam nossa raiva

Muitas pessoas têm medo da própria raiva. Aprenderam que raiva é feia, perigosa, errada ou destrutiva. Então tentam ser sempre compreensivas. Passam por cima de incômodos, justificam o comportamento alheio, evitam confronto e se esforçam para serem maduras o tempo todo.

Mas pessoas difíceis podem fazer a raiva aparecer. E isso nem sempre é ruim. A raiva pode mostrar que um limite foi ultrapassado. Pode indicar que você está cansado de ser desrespeitado. Pode revelar que uma parte sua não aceita mais se calar.

O problema não é sentir raiva. O problema é o que você faz com ela. Raiva sem consciência pode virar ataque. Raiva negada pode virar ressentimento, ironia, afastamento frio ou explosão tardia. Raiva escutada com responsabilidade pode virar limite, conversa clara e proteção.

Em vez de se culpar por sentir raiva de alguém difícil, pergunte: “que limite essa raiva está tentando mostrar?”. Essa pergunta transforma a emoção em informação.

Pessoas difíceis revelam nossas feridas antigas

Uma pessoa difícil pode tocar em uma dor que não nasceu com ela. Um chefe crítico pode despertar a sensação de nunca ser bom o suficiente. Um parceiro distante pode ativar abandono antigo. Um familiar invasivo pode reabrir a dor de nunca ter tido privacidade emocional. Uma amizade competitiva pode tocar antigas comparações.

Quando uma ferida antiga é ativada, a reação costuma ser intensa. A pessoa não está lidando apenas com o fato atual. Está lidando com todas as memórias emocionais que aquele fato acordou. Isso não é exagero. É uma mistura entre presente e passado.

Reconhecer isso ajuda a responder melhor. Você pode dizer internamente: “isso está doendo muito porque toca algo antigo”. Essa frase não resolve tudo, mas reduz a vergonha. Também ajuda a não entregar toda sua reação à pessoa atual.

A terapia pode ser importante quando certas pessoas ativam respostas muito fortes e repetidas. O processo ajuda a entender o que está sendo tocado, qual parte da história precisa de cuidado e que respostas adultas podem ser construídas agora.

Pessoas difíceis revelam nosso julgamento

Às vezes, a dificuldade não está apenas no comportamento do outro, mas no julgamento que fazemos. Podemos olhar para alguém e pensar: “como pode ser tão carente?”, “como pode ser tão frio?”, “como pode ser tão desorganizado?”, “como pode falar tanto?”, “como pode ser tão dramático?”. Esses julgamentos podem conter informações sobre nós.

Muitas vezes, julgamos com mais força aquilo que não permitimos em nós. Quem se obrigou a ser forte pode julgar quem demonstra fragilidade. Quem se proibiu de precisar pode julgar quem pede cuidado. Quem aprendeu a controlar emoções pode julgar quem as expressa. Quem se cobra produtividade pode desprezar quem descansa.

Isso não significa que todo julgamento seja injusto. Algumas atitudes realmente são difíceis. Mas vale perguntar: “por que isso me irrita tanto?”. Às vezes, a resposta revela uma parte sua reprimida, cansada ou cheia de regras internas.

Pessoas difíceis podem expor nossas próprias prisões. Aquilo que chamamos de “insuportável” no outro pode ser, em parte, algo que nunca nos permitimos viver com equilíbrio.

Pessoas difíceis revelam nossa forma de evitar conflito

Muitas pessoas sofrem não apenas porque há alguém difícil, mas porque não conseguem lidar com o conflito que essa pessoa traz. Evitam conversas, fingem que não se incomodaram, mudam de assunto, riem sem graça, aceitam invasões e depois ficam remoendo.

Evitar conflito pode ter sido uma defesa antiga. Talvez, em algum momento da vida, conflito significasse grito, punição, abandono, humilhação ou silêncio cruel. Então o corpo aprendeu que qualquer tensão é perigosa. Na vida adulta, mesmo diante de conflitos menores, a pessoa se fecha.

Pessoas difíceis acabam mostrando essa dificuldade. Elas nos colocam diante da necessidade de falar, delimitar, discordar ou encerrar. Se não sabemos fazer isso, o sofrimento cresce.

Aprender a lidar com conflito não significa virar agressivo. Significa conseguir dizer frases simples: “não gostei desse comentário”, “não vou conversar nesse tom”, “preciso que você respeite esse limite”, “não concordo”, “vou encerrar agora e podemos retomar depois”. Frases assim podem parecer pequenas, mas representam amadurecimento.

Pessoas difíceis e a sensibilidade emocional

Pessoas sensíveis costumam ser muito afetadas por relações difíceis. Um comentário duro pode ficar ecoando. Um ambiente tenso pode cansar o corpo. Um conflito pode gerar ansiedade por dias. Uma pessoa imprevisível pode deixar o sistema emocional sempre em alerta.

Essa sensibilidade não é fraqueza. Mas precisa de cuidado. Se você é sensível e convive com alguém muito crítico, invasivo ou agressivo, talvez precise de estratégias claras de proteção. Não basta dizer a si mesmo “não vou ligar”. O corpo liga. A mente processa. A emoção sente.

Para uma pessoa sensível, pode ser útil reduzir exposição, preparar-se antes de encontros difíceis, criar pausas depois, não entrar em discussões quando está exausta, escolher bem o que compartilhar e lembrar que nem toda provocação merece resposta.

Sensibilidade com limite é diferente de sensibilidade sem proteção. A primeira permite presença. A segunda leva à exaustão.

Quando a pessoa difícil somos nós

Uma das partes mais desconfortáveis do autoconhecimento é admitir que, em algumas situações, nós também podemos ser difíceis. Talvez não do mesmo jeito que as pessoas que criticamos. Mas, ainda assim, podemos ter comportamentos que cansam, ferem ou afastam.

Podemos ser difíceis quando nos fechamos sem explicar, quando esperamos que os outros adivinhem nossas necessidades, quando controlamos por medo, quando explodimos em vez de comunicar, quando usamos silêncio como punição, quando transformamos qualquer crítica em ataque, quando nunca reconhecemos erro.

Isso não precisa virar vergonha. Pode virar responsabilidade. Todos temos pontos cegos. Todos temos defesas. Todos temos formas de proteger nossas feridas que, às vezes, machucam outras pessoas.

A pergunta madura não é “sou uma pessoa difícil?”. A pergunta é: “em quais momentos minha dor vira comportamento difícil para os outros?”. Essa pergunta exige coragem, mas também abre caminho para reparação e mudança.

Empatia não significa ausência de limite

Muitas pessoas sensíveis confundem empatia com tolerância infinita. Entendem a história do outro, percebem suas dores, imaginam suas dificuldades e, por isso, continuam aceitando comportamentos que machucam. Pensam: “ele age assim porque sofreu”, “ela não teve apoio”, “essa pessoa não sabe fazer diferente”.

Pode ser verdade. Mas compreender a origem de um comportamento não obriga você a suportar seu impacto sem limite. Alguém pode ter uma história difícil e ainda assim precisar ser responsabilizado por como trata os outros. Você pode ter compaixão e distância. Pode entender e dizer não. Pode reconhecer a dor do outro e proteger a sua.

Empatia saudável inclui você. Quando sua empatia exclui suas próprias necessidades, ela vira autoabandono.

Uma frase útil é: “eu posso compreender sem absorver”. Outra é: “a dor do outro explica, mas não autoriza tudo”. Essas frases ajudam a manter o coração aberto sem entregar sua dignidade.

Como lidar com pessoas difíceis sem se perder

Lidar com pessoas difíceis exige uma combinação de clareza, limite e regulação emocional. Antes de responder, pergunte o que está acontecendo em você. Está com raiva? Com medo? Querendo provar algo? Querendo ser aprovado? Querendo controlar a reação do outro? Quanto mais ativado você estiver, maior o risco de agir no automático.

Em alguns casos, a melhor resposta é uma conversa clara. Em outros, é uma pausa. Em outros, é encerrar o assunto. Em outros, é reduzir contato. Em outros, é buscar apoio. Nem toda situação precisa ser enfrentada da mesma forma.

Uma habilidade importante é não entrar em toda provocação. Pessoas difíceis podem puxar você para dinâmicas repetidas. Se você sempre tenta explicar, elas sempre distorcem. Se você sempre se defende, elas sempre acusam. Se você sempre busca aprovação, elas sempre retêm reconhecimento.

Interromper a dinâmica pode ser mais poderoso do que vencer a discussão. Às vezes, a mudança está em não repetir o papel que você sempre ocupou.

Perguntas antes de reagir a uma pessoa difícil

  • O que essa pessoa fez de fato?
  • O que eu estou imaginando ou concluindo?
  • Que emoção isso despertou em mim?
  • Isso toca alguma ferida antiga?
  • Que limite foi ultrapassado?
  • Eu quero resolver algo ou provar meu valor?
  • Essa conversa tem chance real de ser produtiva agora?
  • O que está ao meu alcance?
  • Preciso falar, pausar, limitar ou me afastar?
  • Como posso me proteger sem agir de forma destrutiva?

O desejo de vencer a pessoa difícil

Às vezes, ficamos presos ao desejo de vencer. Queremos ter a última palavra, provar que estamos certos, fazer a pessoa reconhecer que errou, mostrar que ela foi injusta, obrigá-la a entender. Esse desejo é humano, principalmente quando nos sentimos feridos.

Mas há pessoas que não entram em uma conversa para compreender. Entram para se defender, controlar, atacar ou distorcer. Nesses casos, insistir pode nos desgastar sem trazer reparação. A pessoa difícil ocupa cada vez mais espaço na mente. Mesmo longe, continua presente.

É importante perguntar: “o que eu perco tentando vencer essa discussão?”. Às vezes, perdemos paz, tempo, energia, sono e respeito próprio. A vitória mais profunda pode ser sair da dinâmica, não ganhar dentro dela.

Isso não significa nunca se defender. Significa escolher batalhas com consciência. Nem toda acusação merece resposta longa. Nem toda provocação merece presença. Nem toda pessoa terá maturidade para a conversa que você gostaria de ter.

Pessoas difíceis no ambiente familiar

Quando a pessoa difícil é da família, tudo fica mais complexo. Há história, lealdade, culpa, expectativa, memórias, dependência emocional e papéis antigos. Às vezes, você não reage apenas ao que essa pessoa faz hoje, mas ao lugar que sempre ocupou diante dela.

Um familiar pode continuar tratando você como criança. Pode invadir escolhas, criticar, comparar, cobrar presença, desrespeitar limites e usar culpa. Você pode saber racionalmente que é adulto, mas emocionalmente se sentir pequeno diante daquela pessoa.

Nesses casos, o limite precisa ser construído com paciência e firmeza. Talvez a pessoa não goste. Talvez diga que você mudou, que está frio, que ficou egoísta. Mas, muitas vezes, o que ela chama de frieza é apenas o fim da sua disponibilidade ilimitada.

Em família, a mudança de um membro pode desorganizar o sistema. Se você sempre foi o conciliador, seu limite incomoda. Se sempre foi o disponível, sua ausência pesa. Isso não significa que o limite está errado. Significa que o padrão antigo está sendo questionado.

Pessoas difíceis no trabalho

No trabalho, pessoas difíceis podem causar grande desgaste: chefes agressivos, colegas competitivos, pessoas que não se responsabilizam, gente que interrompe, critica, invade horários ou cria clima de tensão. Como há obrigações profissionais, nem sempre é possível simplesmente se afastar.

Nesses casos, é importante diferenciar o que pode ser conversado, documentado, limitado ou levado a instâncias adequadas. Também é essencial cuidar do corpo, porque ambientes de trabalho tensos podem manter a pessoa em alerta por muitas horas.

Pessoas sensíveis podem absorver muito o clima profissional. Uma reunião agressiva pode afetar o dia inteiro. Um comentário injusto pode ficar ecoando. Um ambiente competitivo pode gerar ansiedade constante. Reconhecer isso ajuda a criar estratégias: pausas, registros claros, comunicação objetiva, menos exposição emocional a quem não é seguro.

O trabalho não deveria custar sua saúde emocional de forma contínua. Quando custa, algo precisa ser olhado com seriedade.

O que podemos aprender sem romantizar sofrimento

É possível aprender com pessoas difíceis, mas isso não significa romantizar sofrimento. Ninguém precisa agradecer por ser maltratado. Ninguém precisa transformar toda dor em lição bonita. Às vezes, a lição é simples: “isso me faz mal e eu preciso sair”.

Em outras situações, a pessoa difícil revela uma área a ser fortalecida. Talvez você precise aprender a dizer não. Talvez precise parar de buscar aprovação. Talvez precise reconhecer sua raiva. Talvez precise trabalhar o medo de conflito. Talvez precise aceitar que nem todos entenderão você.

O aprendizado não está em suportar indefinidamente. Está em perceber o que a situação mostra e agir a partir dessa percepção.

Autoconhecimento sem ação vira análise infinita. Ação sem autoconhecimento vira repetição. Os dois precisam caminhar juntos.

A terapia como espaço para entender relações difíceis

A terapia pode ajudar quando uma pessoa difícil ocupa espaço demais na sua vida emocional. Talvez você pense nela o tempo todo, se sinta culpado, não consiga colocar limites, tenha medo de conflito ou repita dinâmicas parecidas com pessoas diferentes.

Em terapia, é possível olhar para a relação sem se perder apenas na pergunta “por que essa pessoa é assim?”. O foco também vai para sua reação: o que ativa, o que repete, o que você tolera, o que evita, que limite falta, que história antiga aparece.

Esse processo pode trazer clareza. Às vezes, a clareza leva a uma conversa. Às vezes, a um limite. Às vezes, a uma distância. Às vezes, a uma reparação sua. Às vezes, à aceitação de que o outro não mudará.

A terapia não ensina você a vencer pessoas difíceis. Ela ajuda você a não se perder nelas.

Você não precisa virar uma pessoa dura

Depois de lidar com muitas pessoas difíceis, algumas pessoas desejam endurecer. Querem parar de se importar, parar de sentir, parar de tentar entender. Esse desejo é compreensível quando houve cansaço ou decepção. Mas endurecer demais também cobra um preço.

O objetivo não precisa ser virar alguém frio. Pode ser tornar-se alguém mais firme. Firmeza é diferente de dureza. A dureza fecha. A firmeza sustenta. A dureza rejeita qualquer vulnerabilidade. A firmeza reconhece vulnerabilidade e ainda assim coloca limite.

Uma pessoa sensível pode ser firme. Pode dizer não. Pode encerrar conversas. Pode se afastar. Pode discordar. Pode parar de se justificar. Pode proteger sua energia sem perder sua humanidade.

A meta não é deixar de sentir o impacto das pessoas difíceis. É aprender a não entregar sua vida emocional inteira a esse impacto.

O que fica depois do encontro com pessoas difíceis

Pessoas difíceis podem nos ensinar sobre o outro, mas principalmente sobre nós. Elas mostram onde nos sentimos pequenos, onde buscamos aprovação, onde engolimos raiva, onde falta limite, onde repetimos papéis antigos e onde ainda confundimos empatia com autoabandono.

Esse aprendizado pode ser desconfortável, mas também libertador. Quando você entende o que uma relação ativa em você, deixa de reagir apenas no automático. Pode escolher melhor suas palavras, sua distância, sua presença e seus limites.

Nem toda pessoa difícil precisa permanecer. Nem toda pessoa difícil precisa ser combatida. Nem toda pessoa difícil precisa ser compreendida até o fim. Às vezes, basta compreender o suficiente para decidir com mais clareza.

O ponto central é este: você não controla como o outro se comporta, mas pode aprender a se proteger, se observar e se conduzir melhor diante dele. Isso não é pouca coisa. É uma forma profunda de liberdade emocional.

Perguntas frequentes

Pessoas difíceis sempre revelam algo sobre mim?

Elas podem revelar emoções, limites, feridas e padrões, mas isso não significa que o problema esteja sempre em você. Algumas pessoas realmente têm comportamentos desrespeitosos e precisam de limite ou distância.

Ter empatia significa tolerar tudo?

Não. Empatia ajuda a compreender, mas não obriga você a aceitar comportamentos que machucam. É possível entender a dor do outro e ainda assim proteger a sua.

Como saber se preciso me afastar de alguém difícil?

Observe se há desrespeito repetido, invasão de limites, manipulação, humilhação, esgotamento constante ou ausência de mudança mesmo após conversas claras. Nesses casos, distância pode ser cuidado.

Por que algumas pessoas me irritam tanto?

Algumas pessoas tocam feridas antigas, desafiam regras internas, revelam limites frágeis ou ativam emoções que você costuma evitar, como raiva, vergonha ou medo de rejeição.

A terapia ajuda a lidar com pessoas difíceis?

Sim. A terapia ajuda a entender suas reações, fortalecer limites, reconhecer padrões, reduzir culpa e escolher respostas mais saudáveis diante de relações difíceis.

Continue aprofundando sua jornada emocional

Estes conteúdos se conectam e ajudam você a compreender melhor relações difíceis, limites, sensibilidade, mudança e cuidado emocional.

Tags

pessoas difíceis
autoconhecimento
terapia
limites saudáveis
relações difíceis
saúde emocional
sensibilidade emocional
responsabilidade emocional
conflitos
emoções intensas
pessoas sensíveis
raiva
culpa
aprovação
feridas emocionais
família difícil
trabalho difícil
relações tóxicas
empatia
autoabandono
comunicação clara
proteção emocional
maturidade emocional
vida emocional
bem-estar emocional

Referências bibliográficas

  • GOTTLIEB, Lori. Talvez você deva conversar com alguém: uma terapeuta, o terapeuta dela e a vida de todos nós. São Paulo: Vestígio, 2020.
  • ARON, Elaine N. Pessoas Altamente Sensíveis: como enfrentar a vida quando tudo nos afeta. Lua de Papel, 2013.